Projeto do módulo de Projeto Artístico, 2023
Disciplina: Projeto e Tecnologias 10.º ano
Técnicas principais utilizadas:
Shibori 3D (têxtil); Técnica de embutir (Metal)
Especificações técnicas:
Materiais: latão e organza
Dimensões: 20x20x20 cm
Técnicas específicas: Shibori 3D e embutir
Tempo de execução: 48 horas
Conceito/inspiração
O projeto parte de uma reflexão sobre a construção da identidade humana. Propõe uma metáfora material para o nosso espaço interior, entendido como um receptáculo em constante formação, preenchido e remodelado pelo acumular de experiências passadas (memórias), realizações presentes (conquistas) e visões futuras (sonhos).
Objetivo do projeto
Tomando como ponto de partida todas as aprendizagens e experiências quer a nível do Projeto, quer a nível das tecnologias de Metais e de Têxteis, o desafio foi criar um pequeno objeto escultórico (que mantivesse interesse visto de qualquer ponto de vista) podendo ser concebido para estar pousado sobre um plano horizontal, ou suspenso no ar.
Motivações
Pesquisa sobre obras produzidas na primeira metade do século XX; Os fundamentos da Arte contemporânea.
> O têxtil
Técnica Shibori 3D: O tecido de organza foi manipulado através da tradicional técnica japonesa de shibori, especificamente explorando a sua vertente escultural tridimensional. Através de amarras, compressões e resistências, o material foi forçado a uma nova forma.
A beleza conceptual desta técnica reside na memória do material: após o processo, o tecido conserva permanentemente as pregas, relevos e texturas impressas, tal como a psique humana conserva a marca das experiências vividas.
Esta “memória tátil” simboliza a maneira orgânica, irregular e indelével como as memórias e utopias nos moldam.
> O metal
Estrutura e Fusão: Com a sua rigidez e permanência, o metal define a forma estrutural da peça, atuando como a figura humana que contém.
A escolha de técnicas que aparentam derreter e fundir o metal com as formas têxteis em shibori é intencional. Visa criar a sensação de que estas experiências interiores, tal como o tecido que guarda a memória da sua manipulação, se liquefazem e solidificam, tornando-se parte constitutiva e definitiva da nossa identidade.
> Nota
Esta peça, desenvolvida num estágio inicial da minha formação na Escola Artística de Soares dos Reis, foi fundamental para estabelecer a minha metodologia de trabalho. A descoberta do shibori 3D e do seu princípio de memória material revelou-me como a técnica pode ser narrativa, servindo de metáfora perfeita para processos de transformação pessoal e identitária.


